O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, recebeu nesta segunda-feira (8/9) dois delegados da Polícia Federal em seu gabinete no Supremo. Ele foi ouvido como testemunha no inquérito que apura a escuta ilegal em seus telefones. O ministro confirmou a conversa que teve com o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), revelado há duas semanas pela revista Veja.
A revista informou ter tido acesso à transcrição de um dos grampos, que registra diálogo entre Gilmar e Demóstenes, mostrando que as autoridades estão sendo monitoradas pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin). A transcrição, informou a revista, foi obtida de um funcionário da própria Abin.
Os delegados pediram também para o ministro reproduzir as circunstâncias da ligação com o senador. Perguntaram como Gilmar recebeu a ligação (se a secretária quem passou a ligação ou se Demóstenes ligou em seu celular).
Quando questionado também se era a primeira vez que fora grampeado, Gilmar Mendes disse que estava sendo monitorado desde a Operação Navalha. Contou que uma conversa sua com o procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, tornou-se pública minutos depois e que ficou sabendo através de uma jornalista da Folha de S.Paulo. “A jornalista ligou em seguida citando trecho da conversa com o PGR”, disse ele.
Ainda na Operação Navalha, Gilmar Mendes sofreu outra tentativa de intimidação. Em agosto de 2007, policiais vazaram a informação de que ele estava na lista das autoridades que receberam mimos da empreiteira Gautama, investigada pela Polícia Federal na operação.
A informação foi divulgada logo depois de o ministro dar liminar para soltar um dos presos pela PF. O verdadeiro nome na lista era de outra pessoa: o engenheiro Gilmar de Melo Mendes. A Polícia sabia que era apenas coincidência, mas divulgou-a assim mesmo.
Reportagem da revista Istoé desta semana apontou o ex- agente Francisco Ambrósio do Nascimento, aposentado do Serviço Nacional de Informações (SNI), como o coordenador na Polícia Federal da equipe que fez a escuta de 18 senadores, 26 deputados, ministros do governo e também do ministro Gilmar Mendes.
O texto, assinado pelos jornalistas Mino Pedrosa e Hugo Marques, aponta Ambrosio do Nascimento como o “espião” que coordenou a atuação de um grupo de agentes da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) na Operação Satiagraha, da Polícia Federal.
De acordo com o texto, a pedido do delegado Protógenes Queiroz, responsável pelas investigações contra o grupo do banqueiro Daniel Dantas, Ambrósio se instalou no começo do ano em uma sala no Máscara Negra, como é conhecido o edifício-sede da PF em Brasília. Tornou-se uma espécie de braço direito do delegado, funcionando como elo entre Protógenes e os agentes operacionais da Abin, cedidos à Satiagraha.
Os jornalistas apontam também que muitas das escutas extrapolaram as autorizações legais da Justiça. Sendo que numa delas gravou-se a conversa telefônica de Gilmar com Demóstenes Torres.

Será que, nesse caso, haverá prisões para interrogar, buscas, algemas, holofotes, enquadramento em quadrilha, ofertas de delações premiadas? Haverá nome pitoresco para a possível (?) operação? Que tal "operação abelhudos"?
Você também é investigador? Da PF ou da ABIN?
Ministro supremo: cadê as provas do grampo?
Quanto ao nome, sugiro "Operação Armação", ou então, "Operação DD salvo".
Algum dia todos irão agradecer ao min. Gilmar Mendes por ter desmascarado os falsos heróis. Todos não, menos a massa ignara; as macacas de auditório; os bobos da corte.
A massa ignara é formada justamente por boa parte da classe média que pensa que cultura é assistir ao Jornal Nacional e ler Veja; que se deixa manipular pelo pensamento único imposto por elites decadentes que perderam a cornucópia e tentam inutilmente adiar as mudanças. Bobo da corte é quem bajula autoridades como Ministros do STF que têm como único propósito proteger uma aristocracia a que não pertencem e aparecer nas câmeras durante dois anos de presidência, para depois voltar ao limbo de onde surgiram. E falsos heróis são causídicos que se intitulam juristas utilizando a expressão " Estado de Direito" ( que jamais deveria brotar de seus lábios mercenários) para designar decisões que lhes permitem sugar alguns honorários de clientes que enlameiam o país.
Meus cordiais cumprimentos a Gláucia Milicio, que é repórter da revista Consultor Jurídico. Parabéns por nos mostrar o quanto extrapolaram com as interceptações telefônicas com 'mostras' de permanentes(modalidade da criatividade e muita invencionice) e não a usual escuta determinada por suspeição de ação criminosa(através de inquérito). Muito boa a matéria!
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